Diga a palavra mágica: SHAZAM! | Crítica

Por Guilherme Albuquerque

Shazam chega aos cinemas com o pesado fardo de comprovar que a DC acertou seu caminho no mundo cinematográfico. Após uma animadora Mulher Maravilha e o recordista de bilheterias Aquaman Shazam veio para consolidar esse caminho. Ou não. No geral o longa cumpre sua proposta e tem trunfos para agradar desde o mais ávidos fã até ao publico de um modo geral. O filme não chega a ser o Deadpool da DC, mas manda muito bem na comédia sem fazer piadas constrangedoras. Ao fã que ficar surpreso com o excesso de comédia no filme é um fã desavisado, pois a própria escolha de Zachary Levi (CHUCK) para protagonizar o filme é a confirmação disso.

O herói que para os mais antigos é conhecido como Capitão Marvel** é Billy Batson, interpretado pelo ator Asher Angel, um garoto órfão de 14 anos que após ser o escolhido por um mago, basta dizer a palavra mágica “Shazam” ele tomará a forma do herói.

Shazam ou Capitão Marvel, como preferir, tem alguns clichês perigosos de super heróis como, por exemplo: Ser órfão, conflitos familiares, problemas com o passado, usar capa, voar, ter super força. O que poderia comprometer a história uma vez que é muito comum em adaptações de quadrinhos precisarem perder um bom tempo no filme para apresentar o herói ao publico. Mas não sentimos esse peso ao assistir o filme.

A origem tanto a do vilão quanto a do herói são contadas de uma forma muito interessante. Encontraram de uma maneira rápida e direta que além de amarrarem a origem dos personagens, tudo o que foi dito na cena e o  lugar que a cena se passa com o desfecho final do filme.

Billy Batson ao dizer a palavra mágica “Shazam” toma a forma do herói, porém fica com aparência de um homem na faixa dos 30 anos.  No melhor estilo “Quero ser grande” (lembra aquele filme da sessão da tarde que o garoto vira o Tom Hanks?), um garoto toma a forma de uma cara de trinta e o filme sabe explorar possibilidades cômicas, inclusive presenteando o publico com uma menção ao filme “Quero ser grande”. Outra coisa que é bem explorada é a relação dos irmãos Freddy Freeman  um garoto também adotado portador de necessidades especiais e fã dos heróis que existem no universo do filme, vivido pelo ator Jack Dylan Grazer, que por sinal conseguiu uma excelente química com os atores que interpretam Billy e Shazam respectivamente. O que faz o expectador comprar a história.  

Todos os elementos dos quadrinhos que constituem o herói estão no filme. É genial, que fizeram a Filadélfia, onde se passa a história, ter uma identidade e o herói ter um pertencimento a esse lugar. Estabeleceram uma relação próxima da cidade como vemos em Homem Aranha & Nova York, Batman & Gotham e Superman & Metropolis etc. Isso sem ter a menor vergonha de explorar o que a Filadélfia tem de mais famoso “Rocky” (Franqui estrelada por Sylvester Stallone). Temos até um onipresente Tigre de pelúcia, menção a canção “Eye the Tiger” trilha da mesma franquia.

O filme é um prato cheio para os que gostam de “easter eggs” e referências à cultura pop. Destaque para as camisas do personagem Freddy Freeman.

Desde o início é muito claro que o filme está inserido no universo expandido da DC, o que nos leva a crer que Shazam irá juntar-se aos demais heróis da DC. O final do filme é surpreendente, pois além de uma reviravolta os valores que foram falados e explorados durante todo o longa ficam explícitos. Os conflitos são bem construídos apesar de ser uma história de super herói com bastante humor.

Pontos altos

A família que adota Billy, com personagens muito cativantes, e toda sua construção até o seu desfecho; A química entre os atores que fazem Billy e Shazam com o irmão Freddy; O paralelo das tramas que tanto o herói quanto o vilão passam a vida perseguindo uma coisa e que nem sempre vale a pena. Os testes de superpoderes rendem boas risadas e faz muito sentido naquele universo; Não podemos deixar de falar da zoeira com os demais heróis das franquias da DC.

Pontos Fracos

São os mesmos de outros filmes da DC que definitivamente constrói mal seus vilões. Dr Silvana tem uma motivação fraca enquanto vilão; A trilha sonora é irrelevante. Quando ouvimos “Queen” sentimos que pensaram assim: “Funcionou no Esquadrão Suicida, joga de novo”. Os terceiros atos continuam esticados, quase sem fim. Apesar da solução genial, não acaba nunca! Lembra de Injustice\

Sem sombra de dúvidas o filme ganhará uma continuação não só por estar inserido no universo expandido da DC, mas por um de seus produtores executivos ser ninguém mais ninguém menos que Dwayne Johnson que encampou a missão de Shazam acontecer, pois ao que tudo indica viverá o vilão Adão Negro que provavelmente virá na continuação. Esperamos que dessa vez seja um vilão a altura de Shazam. Esperamos que o diretor David F. Sandberg seja mantido pois ele soube contar uma história de herói sem exageros nos efeitos especiais, nas câmeras lentas e encontrou boas saídas e soluções para coisas clichês.

Não seja apressado, temos duas cenas pós-créditos. A primeira arrepiante e dá uma dica do que virá pela frente. A segunda é mais uma boa piada. Não percam!

** A DC Comics dona dos direitos dos personagens, perdeu o direito de manter o nome do herói pelo fato do personagem ter o mesmo nome aque sua maior concorrente. É como se o Superman não pudesse mais ser chamado de Superman e inventassem um outro nome bacana para ele.

Gui Albuquerque é ator, comediante e produtor. Foi responsável pela produção executiva das publicações: “O ReVerso do Morcego” – 2015, “Contos Volume I” – 2016 e “SOCK POW CRASH Os 60 anos da Bat-Série” – 2017, possui textos publicados na obra “Batmania o retorno” além de ser o idealizador do Super Hero Con.

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